Naquela época, ano de 2007, a universidade foi tomada por esta discussão, se dividindo em dois lados: aqueles que apoiavam as cotas pela popularização da universidade pública e aqueles que se organizavam contra as cotas e incentivavam uma campanha elitista e racista, que se materializava em pichações como “lugar de negro é na cozinha do Ru” ou “Voltem para as Senzalas”. Foi necessário, para passar as cotas, ocupar por duas vezes a reitoria com apoio dos movimentos sociais de fora da universidade, principalmente o movimento negro e quilombola. Foi uma verdadeira guerra!
Por isso, nós, estudantes das sociais, temos que tocar este debate com força.
As cotas foram uma conquista, mas nós não podemos estagnar, temos que avançar!
Porém, é necessário defendermos a manutenção e ampliação das cotas raciais, sociais e para deficientes físicos.
Entendemos que o ensino superior, assim como toda educação, é um direito e não deve ser tratado como um privilégio. Garantir a educação àqueles que são historicamente oprimidos e marginalizados pela sociedade é uma obrigação.
Não acreditamos que as cotas serão a saída para o déficit educacional que o país sofre ou que irão acabar com o racismo e preconceito velados que presenciamos diariamente na sociedade. Entendemos as cotas como uma medida paliativa, que cumpre o papel de refletir as contradições existentes na sociedade dentro da UFRGS – uma universidade ainda elitista e de uma latente hegemonia branca, em contradição à maioria negra e pobre fora dela.
As ações afirmativas foram implementadas a partir de muita luta e mobilização por parte do movimento estudantil e movimento negro, mas é preciso avançar!
Queremos:
* 10% de reserva de vagas para deficientes físicos
*25% de reserva de vagas para estudantes negros
*25% de reserva de vagas para estudantes de escolas públicas

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